quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

DESIDERATA: AQUILO QUE SE DESEJA

 


Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam. Fale a sua verdade, clara e mansamente. Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história. Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito. Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo. Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar. Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja, ele é um verdadeiro tesouro na continua mudança dos tempos. Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas. Mas não fique cego para o bem que sempre existe. Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira, pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva. Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude. Cultive a força do espírito e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa. Não se desespere com perigos imaginários: muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão. Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino. Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que você lhe der. No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz. Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito. Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade".

 

DESIDERATA - Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja, aspiração.

Este texto foi encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, Estou enviando esta antiga inscrição encontrada em uma Igreja de Baltimore  e traduzida por Jehud Bortolozzi - o mais interessante é que foi datada de 1.684 (1692). Foi citado no livro "Mensagens do Sanctum Celestial", do Fr. Raymond Bernard.

O TARÔ ESPELHO DA ALMA : AUTOCONHECIMENTO E INDIVIDUAÇÃO JUNGUIANA

Por: Randler Michel

 


Ilustração criada pela IA Microsoft Designer , homenagem a Jung e Freud , ambos percursores do estudo da psiquê humana. Jung estudou o tarô , astrologia e I Ching . Jung, mostrando o tarô para Freud que observa o gato preto.  Uma cena que jamais se concretizaria, exceto na minha imaginação.

O tarô é um conjunto de símbolos universais, cuja comunicação arquetípica permite o acesso ao inconsciente pessoal, à sombra e ao inconsciente coletivo. Quando compreendido no sentido analítico, favorece a tomada de consciência da energia recalcada, dos traumas emocionais, dos desejos reprimidos e da energia criativa a ser desenvolvida em prol do amadurecimento pessoal e crescimento interior, este processo  é chamado da individuação por Jung.

A palavra "tarô" origina-se do termo italiano "tarocchi", que por sua vez tem raízes no egípcio antigo. A origem dos baralhos de tarô remonta ao século XV na Europa, onde eram inicialmente utilizados como um jogo de cartas antes de se tornarem uma ferramenta esotérica.  No antigo idioma egípcio, o termo "tarô" seria especulativamente derivado das palavras "tar", que significa caminho, e "ro", que significa real. Já no início do século XIX, com a descoberta da Pedra de Roseta, houve uma associação do termo com a Torá, ou Torah, o nome dado pelos judeus ao Pentateuco. O Pentateuco são os cinco primeiros livros do Velho Testamento, que narram a história do povo judeu e explicam a lei mosaica. A palavra “Torá” é sinônimo de lei divina. Daí a alusão de que os arcanos do tarô teriam se originado no Egito

O tarô é um baralho de cartas, sua estrutura atual é conhecida desde o século XV, consistindo em 78 arcanos. O termo "arcano" deriva do latim "arcanus", que significa "segredo" ou "mistério". Mistérios que serão revelados.  Composto por  22 arcanos maiores, que representam temas arquetípicos e universais, e 56 arcanos menores, que abordam situações e experiências pessoais, íntimas e  desafiadoras.

Antoine Court de Gébelin

Antoine Court de Gébelin (1725-1784), nascido em Nîmes, França, foi um pastor protestante e ocultista que popularizou a interpretação esotérica do tarô. Em seu livro "Le Monde Primitif" (1781), ele argumentou que o tarô continha ensinamentos ocultos do antigo Egito e era um repositório de sabedoria esotérica universal. Para Gébelin, o tarô representava a chave para decifrar os mistérios da humanidade.

Arthur Edward Waite

Arthur Edward Waite (1857-1942), nascido em Nova York, Estados Unidos, mas vivendo principalmente na Inglaterra, foi um esoterista e membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada. Ele criou o famoso baralho de tarô Rider-Waite, em parceria com a artista Pamela Colman Smith. Para Waite, o tarô era uma ferramenta de autoconhecimento e transformação pessoal, carregada de simbolismo espiritual e esotérico.

Papus (Gérard Encausse)

Gérard-Anaclet-Vincent Encausse, conhecido como Papus (1865-1916), nasceu em La Coruña, Espanha, e viveu em Paris, França. Médico, ocultista e fundador da Ordem Martinista, Papus escreveu "Le Tarot divinatoire" (1909), onde apresentou uma visão esotérica do tarô, combinando tradições egípcias e cabalísticas. Para Papus, o tarô era uma ferramenta poderosa para a adivinhação e comunicação com o mundo espiritual.

Carl Gustav Jung

Carl Gustav Jung (1875-1961), nascido em Kesswil, Suíça, foi um psiquiatra e psicoterapeuta que fundou a psicologia analítica. Jung via o tarô como um meio de acessar os arquétipos do inconsciente coletivo e pessoal. Ele acreditava que as cartas do tarô representavam símbolos universais que podiam refletir as dinâmicas internas da psique humana. Para Jung, o tarô era uma ferramenta para a individuação e autoconhecimento, facilitando a integração das diferentes partes da personalidade.

O Tarô e os Arquivos Akáshicos

O tarô também tem uma relação estreita com os conceitos teosóficos dos planos astral e mental, bem como com os corpos astral e mental no homem, conforme descritos por Helena Blavatsky. Blavatsky, uma das fundadoras da Sociedade Teosófica, acreditava que o tarô poderia acessar os Arquivos Akáshicos, uma suposta base de dados universal que contém todo o conhecimento e experiências da humanidade. Isso se alinha com as teorias de Jung sobre o inconsciente coletivo, onde o tarô atua como um meio de explorar a sabedoria acumulada da humanidade.

Ilustração criada pela IA Microsoft Designer.  O arcano maior de nº 2- A papisa ou Sacerdotisa, entre duas colunas simbolizando a dualidade  matéria e espírito, bem e mal , luz e trevas, preto e branco. Segurando nas mãos o pergaminho, fonte do conhecimento com inscrição TORA.

Conclusão

Os arcanos do tarô são representações de arquétipos universais. Arquétipos são padrões e símbolos que existem no inconsciente coletivo e são compartilhados por toda a humanidade. Quando interagimos com as cartas do tarô, estamos, na verdade, ativando esses arquétipos que ressoam com nossas experiências pessoais e emoções. Esse processo pode trazer à tona insights profundos sobre nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos, muitas vezes revelando aspectos que estavam escondidos no inconsciente pessoal.

A capacidade do tarô de fornecer insights sobre o futuro está ligada ao conceito de sincronicidade, introduzido por Jung. Sincronicidade é a ocorrência de eventos que estão significantemente relacionados, mas não têm uma relação causal aparente. Ao fazer uma leitura de tarô, as cartas que aparecem podem ter um significado simbólico que reflete a situação ou pergunta do consulente, proporcionando orientação e clareza sobre possíveis desenvolvimentos futuros.

Os arcanos do tarô transcendem as limitações do tempo e espaço tradicionais, ( produtos da nossa própria consciência ) funcionando como um espelho que reflete o estado atual da consciência do consulente. Eles nos conectam aos planos astral e mental, conforme descrito por Helena Blavatsky, e permitem acessar informações dos Arquivos Akáshicos, uma suposta base de dados universal que contém todo o conhecimento e experiências da humanidade, que serviu de inspiração , do  conceito de inconsciente coletivo por Carl Gustav Jung e  a recente, no sentido de mais atual,  a teoria  da “memória sistêmica familiar” bem debatida na atualidade através dos estudos de constelação familiar por Bert Hellinger. A título de comparação,  tanto o inconsciente coletivo, ou os arquivos Akáshicos , hoje temos Deep Web e Dark Web são camadas da internet formadas por páginas que não podem ser encontradas por meio de mecanismos de busca, como o Google e o Bing, mas as informações estão lá...

Os arcanos funcionam como Espelho da Alma, portais para a consciência objetiva, ajudando-nos a explorar a interconexão entre nossos estados internos e as circunstâncias externas. Através do tarô, podemos obter uma compreensão mais profunda de nossas vidas e do universo, permitindo-nos tomar decisões mais conscientes e alinhadas com nosso propósito. Sugiro aqueles que almejam buscar o autoconhecimento, tenham o próprio baralho do tarô. Tenho certeza que terá uma conversa íntima com seu inconsciente. Para os iniciantes minha indicação é o famoso baralho de tarô Rider-Waite.

 

Referências

  • Hajo Banzhaf, "O Livro do Tarô", Editora Pensamento, 2001.
  • Papus, "Le Tarot divinatoire", Editora Chacornac, 1909.
  • Arthur Edward Waite, "The Pictorial Key to the Tarot", William Rider & Son, 1910.
  • Helena Blavatsky, "A Doutrina Secreta", Editora Pensamento, 1888.
  • Silva, Randler Michel, O Tarô Espelho da Alma: Autoconhecimento e Individuação Junguiana. Fusão Cósmica,2025.

domingo, 26 de janeiro de 2025

TRANSFORMANDO A SAÚDE: COMO O REIKI POTENCIALIZA AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS COMPLEMENTARES (PICS)

Por: Randler Michel


REIKI - Práticas Integrativas e Complementares em Saúde
Dedicado a Cristiana Dalton e meus alunos

Alívio da Ansiedade e Depressão

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde é definida como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICs) incluem uma variedade de abordagens terapêuticas que buscam tratar o indivíduo de forma holística, considerando a integração entre corpo, mente e espírito. Essas práticas, que abrangem desde terapias tradicionais até técnicas modernas de bioenergética, são reconhecidas por promoverem o equilíbrio e a harmonia, atuando como complementos aos tratamentos da medicina alopática embasada no conhecimento científico.

A palavra "terapia" tem suas raízes etimológicas no termo grego "therapeia," que significa "cura" ou "tratamento." A prática da terapia remonta às civilizações antigas: Egito, Grécia, Índia, Tibete e Japão onde a cura era frequentemente associada à imposição das mãos e a rituais espirituais. O Reiki termo que une as palavras japonesas Rei (energia universal) e Ki (energia vital), é uma terapia energética vibracional que utiliza a imposição das mãos como recurso terapêutico (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE REIKI, 2017). Originado no Tibete há dezoito séculos, foi redescoberto no século XIX pelo monge budista Mikao Usui. Nascido em 15 de agosto de 1865, na Vila de Taniai, no Japão, Usui possuía conhecimentos sobre diversas técnicas de saúde holísticas.

Origem e História do Reiki

A prática ancestral do Reiki tem raízes profundas na tradição tibetana, onde começou a ser utilizada há dezoito séculos. Mikao Usui, ao redescobrir essa técnica no século XIX, sistematizou-a e difundiu-a pelo Japão e, posteriormente, pelo mundo. Com uma filosofia que integra mente, corpo e espírito, o Reiki foi rapidamente adotado por aqueles que buscavam uma forma holística e natural de promover a saúde e o bem-estar.

Princípios do Reiki

O Reiki baseia-se em cinco princípios fundamentais, que são recitados como mantras pelos praticantes:

·        Apenas por hoje, não sinta raiva.

·        Apenas por hoje, não se preocupe.

·        Apenas por hoje, seja grato.

·        Apenas por hoje, trabalhe arduamente.

·        Apenas por hoje, seja gentil com os outros.

Esses princípios visam promover uma vida equilibrada e harmoniosa, reduzindo os níveis de estresse e ansiedade.

Reiki na Prática Clínica

O Reiki é utilizado como uma prática integrativa e complementar em saúde, reconhecida por sua eficácia no alívio de sintomas de ansiedade e depressão. Durante as sessões de Reiki, o terapeuta utiliza as mãos para canalizar a energia universal para o paciente, promovendo um estado de relaxamento profundo e equilíbrio energético dos Chakras e do CEH- Campo de Energia Humana, a aura.

Alívio da Ansiedade

A ansiedade, uma resposta natural ao estresse, pode se tornar debilitante quando persistente ou intensa. Estudos têm demonstrado que o Reiki pode reduzir significativamente os níveis de ansiedade, promovendo um estado de calma e tranquilidade. Isso ocorre devido à capacidade do Reiki de harmonizar os centros energéticos do corpo, conhecidos como chakras, promovendo um fluxo livre de energia vital. Cada um dos sete chakras quando em desarmonia prevalecem determinados sentimentos. O Chakra Muladhara também conhecido como raiz ou básico, quando desarmonizado  vibra a energia do medo, da insegurança, da falta de ação, iniciativa, do desejo,  tão presente nos quadros clínicos da ansiedade e da depressão.

Tratamento da Depressão

A depressão é uma condição complexa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O Reiki, ao promover o equilíbrio energético, passa ser um complemento eficaz ao tratamento convencional da depressão. Ao induzir um estado de relaxamento profundo, o Reiki ajuda a reduzir os sintomas depressivos, como tristeza, fadiga e falta de motivação, proporcionando uma sensação de bem-estar e esperança.

Benefícios do Reiki

Os benefícios do Reiki são vastos e incluem:

·        Redução do estresse e da ansiedade.

·        Melhora da qualidade do sono.

·        Fortalecimento do sistema imunológico.

·        Alívio de dores crônicas e agudas.

·        Promoção do bem-estar emocional e mental.

Conclusão

O Reiki, como prática integrativa e complementar em saúde, oferece uma abordagem natural e eficaz para o alívio da ansiedade e depressão em harmonia com o tratamento  alopático do médico psiquiatra, das sessões de psicoterapias, da psicanálise ou da terapia cognitiva comportamental com a  psicologia . O Reiki, atua através da canalização da energia universal e do equilíbrio dos chakras, o Reiki promove um estado de bem-estar holístico, beneficiando a mente, o corpo e o espírito. Incorporar  a prática  do  Reiki na rotina de cuidados com a saúde  pública ou coletiva  proporciona também a redução de custos com medicação, internação , pois paciente começa a ressignificar a sua visão, a percepção da própria saúde , reconectando os seus valores pessoais e o próprio sentido da vida.

Referências Bibliográficas

  Usui, M. (1995). Manual do Reiki de Mikao Usui. São Paulo: Editora Pensamento.

  Magalhães, J. (2015). O Grande Livro de Reiki. São Paulo: Editora Nascente.