Por: Randler Michel
Ilustração criada pela IA Microsoft Designer , homenagem a Jung e Freud , ambos percursores do estudo da psiquê humana. Jung estudou o tarô , astrologia e I Ching . Jung, mostrando o tarô para Freud que observa o gato preto. Uma cena que jamais se concretizaria, exceto na minha imaginação.
O tarô é um conjunto de símbolos universais, cuja comunicação
arquetípica permite o acesso ao inconsciente pessoal, à sombra e ao
inconsciente coletivo. Quando compreendido no sentido analítico, favorece a
tomada de consciência da energia recalcada, dos traumas emocionais, dos desejos
reprimidos e da energia criativa a ser desenvolvida em prol do amadurecimento
pessoal e crescimento interior, este processo é chamado da individuação por Jung.
A palavra "tarô" origina-se do termo italiano
"tarocchi", que por sua vez tem raízes no egípcio antigo. A origem
dos baralhos de tarô remonta ao século XV na Europa, onde eram inicialmente
utilizados como um jogo de cartas antes de se tornarem uma ferramenta
esotérica. No antigo idioma egípcio, o
termo "tarô" seria especulativamente derivado das palavras
"tar", que significa caminho, e "ro", que significa real.
Já no início do século XIX, com a descoberta da Pedra de Roseta, houve uma associação
do termo com a Torá, ou Torah, o nome dado pelos judeus ao Pentateuco. O
Pentateuco são os cinco primeiros livros do Velho Testamento, que narram a
história do povo judeu e explicam a lei mosaica. A palavra “Torá” é sinônimo de
lei divina. Daí a alusão de que os arcanos do tarô teriam se originado no Egito
O tarô é um baralho de cartas, sua estrutura atual é
conhecida desde o século XV, consistindo em 78 arcanos. O termo "arcano" deriva do
latim "arcanus", que significa "segredo" ou
"mistério". Mistérios que serão revelados. Composto por 22 arcanos maiores, que representam temas
arquetípicos e universais, e 56 arcanos menores, que abordam situações e
experiências pessoais, íntimas e desafiadoras.
Antoine Court de Gébelin
Antoine Court de Gébelin (1725-1784), nascido em Nîmes,
França, foi um pastor protestante e ocultista que popularizou a interpretação
esotérica do tarô. Em seu livro "Le Monde Primitif" (1781), ele
argumentou que o tarô continha ensinamentos ocultos do antigo Egito e era um
repositório de sabedoria esotérica universal. Para Gébelin, o tarô representava
a chave para decifrar os mistérios da humanidade.
Arthur Edward Waite
Arthur Edward Waite (1857-1942), nascido em Nova York,
Estados Unidos, mas vivendo principalmente na Inglaterra, foi um esoterista e
membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada. Ele criou o famoso baralho de tarô
Rider-Waite, em parceria com a artista Pamela Colman Smith. Para Waite, o tarô
era uma ferramenta de autoconhecimento e transformação pessoal, carregada de
simbolismo espiritual e esotérico.
Papus (Gérard Encausse)
Gérard-Anaclet-Vincent Encausse, conhecido como Papus
(1865-1916), nasceu em La Coruña, Espanha, e viveu em Paris, França. Médico,
ocultista e fundador da Ordem Martinista, Papus escreveu "Le Tarot
divinatoire" (1909), onde apresentou uma visão esotérica do tarô,
combinando tradições egípcias e cabalísticas. Para Papus, o tarô era uma
ferramenta poderosa para a adivinhação e comunicação com o mundo espiritual.
Carl Gustav Jung
Carl Gustav Jung (1875-1961), nascido em Kesswil, Suíça, foi
um psiquiatra e psicoterapeuta que fundou a psicologia analítica. Jung via o
tarô como um meio de acessar os arquétipos do inconsciente coletivo e pessoal.
Ele acreditava que as cartas do tarô representavam símbolos universais que
podiam refletir as dinâmicas internas da psique humana. Para Jung, o tarô era
uma ferramenta para a individuação e autoconhecimento, facilitando a integração
das diferentes partes da personalidade.
O Tarô e os Arquivos Akáshicos
O tarô também tem uma relação estreita com os conceitos teosóficos dos planos astral e mental, bem como com os corpos astral e
mental no homem, conforme descritos por Helena Blavatsky. Blavatsky, uma das
fundadoras da Sociedade Teosófica, acreditava que o tarô poderia acessar os
Arquivos Akáshicos, uma suposta base de dados universal que contém todo o
conhecimento e experiências da humanidade. Isso se alinha com as teorias de
Jung sobre o inconsciente coletivo, onde o tarô atua como um meio de explorar a
sabedoria acumulada da humanidade.
Ilustração criada pela IA Microsoft Designer. O arcano maior de nº 2- A papisa ou Sacerdotisa, entre duas colunas simbolizando a dualidade matéria e espírito, bem e mal , luz e trevas, preto e branco. Segurando nas mãos o pergaminho, fonte do conhecimento com inscrição TORA.
Conclusão
Os arcanos do tarô são representações de arquétipos
universais. Arquétipos são padrões e símbolos que existem no inconsciente
coletivo e são compartilhados por toda a humanidade. Quando interagimos com as
cartas do tarô, estamos, na verdade, ativando esses arquétipos que ressoam com
nossas experiências pessoais e emoções. Esse processo pode trazer à tona
insights profundos sobre nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos,
muitas vezes revelando aspectos que estavam escondidos no inconsciente pessoal.
A capacidade do tarô de fornecer insights sobre o futuro está
ligada ao conceito de sincronicidade, introduzido por Jung. Sincronicidade é a
ocorrência de eventos que estão significantemente relacionados, mas não têm uma
relação causal aparente. Ao fazer uma leitura de tarô, as cartas que aparecem
podem ter um significado simbólico que reflete a situação ou pergunta do
consulente, proporcionando orientação e clareza sobre possíveis
desenvolvimentos futuros.
Os arcanos do tarô transcendem as
limitações do tempo e espaço tradicionais, ( produtos da nossa própria
consciência ) funcionando como um espelho que reflete o estado atual da
consciência do consulente. Eles nos conectam aos planos astral e mental,
conforme descrito por Helena Blavatsky, e permitem acessar informações dos
Arquivos Akáshicos, uma suposta base de dados universal que contém todo o
conhecimento e experiências da humanidade, que serviu de inspiração , do conceito de inconsciente coletivo por Carl
Gustav Jung e a recente, no sentido de
mais atual, a teoria da “memória sistêmica familiar” bem debatida
na atualidade através dos estudos de constelação familiar por Bert Hellinger. A título de comparação, tanto o inconsciente coletivo, ou os arquivos Akáshicos , hoje temos Deep Web e Dark Web são camadas da internet formadas por páginas que não
podem ser encontradas por meio de mecanismos de busca, como o Google e o
Bing, mas as informações estão lá...
Os arcanos funcionam como Espelho da Alma, portais para a consciência
objetiva, ajudando-nos a explorar a interconexão entre nossos estados internos
e as circunstâncias externas. Através do tarô, podemos obter uma compreensão
mais profunda de nossas vidas e do universo, permitindo-nos tomar decisões mais
conscientes e alinhadas com nosso propósito. Sugiro aqueles que almejam buscar o autoconhecimento, tenham o próprio baralho do tarô. Tenho certeza que terá uma conversa íntima com seu inconsciente. Para os iniciantes minha indicação é o famoso baralho de tarô
Rider-Waite.
Referências
- Hajo
Banzhaf, "O Livro do Tarô", Editora Pensamento, 2001.
- Papus,
"Le Tarot divinatoire", Editora Chacornac, 1909.
- Arthur
Edward Waite, "The Pictorial Key to the Tarot", William Rider
& Son, 1910.
- Helena
Blavatsky, "A Doutrina Secreta", Editora Pensamento, 1888.
- Silva, Randler Michel, O Tarô Espelho da Alma: Autoconhecimento e Individuação Junguiana. Fusão Cósmica,2025.